USO PORQUE, POR QUE, PORQUÊ...
Quando usar
“porque” junto
O “porque” junto e sem o acento circunflexo é uma
conjunção causal ou explicativa, ou seja, quando damos uma explicação ou
justificativa/causa, geralmente em um momento de resposta.
Este “porque” é
aquele que pode ser substituído por “visto que”, “pois”, “uma vez que”.
Exemplos com
“porque”
Não fui ao cinema
porque perdi a hora.
Estou feliz porque
ganhei um vestido lindo de aniversário.
Meu marido não foi
ao trabalho porque ficou doente.
Não fale alto
porque as crianças estão dormindo
Exemplos
com substitutos do “porque”
Não fui ao cinema, pois perdi a hora.
Estou feliz visto que ganhei um vestido lindo
de aniversário.
Meu marido não foi ao trabalho, pois ficou doente.
Não fale alto, uma vez que as crianças estão
dormindo.
Quando usar
o “por que” separado
O “por que” separado e sem acento é
usado em frases interrogativas
diretas e indiretas e quando tem o mesmo significado de “razão”, “motivo”, “causa”.
O “por que” também pode ser utilizado
como a união de por + pronome relativo “que”; neste caso, a substituição pode
ser feita por expressões como “pelo
qual”, “pela qual”, “pelas quais” e “pelos quais”.
Exemplos
com “por que”
Por que ela não veio hoje?
Não sei por que você não consegue um
emprego na sua área.
As ruas por que passamos estavam
cheias de lixo.
Por que você foi embora da festa sem
se despedir?
Exemplos
com substitutos do “por que”
Por que
motivo ela não veio hoje?
Não sei por qual razão você não consegue um emprego na sua área.
As ruas pelas quais passamos estavam cheias de lixo.
Por qual
motivo você foi embora da festa sem se despedir?
Quando usar
o “por quê” separado e com acento
Este “por quê” com acento circunflexo
é usado quando não se trata de uma resposta e ele fica ao fim da frase, seguido de um ponto (final, exclamativo,
interrogativo).
O mesmo vale para quando a expressão
aparece sozinha em uma frase. Este “por quê” também pode ser substituído “por qual motivo” ou “por qual razão”.
Exemplos
com “por quê”
Você não foi à festa de formatura por
quê?
As crianças ainda não foram para a
escola. Por quê?
Se você estudou para fazer a prova,
está nervoso por quê?
Andar 10 km a pé por quê? Vamos de
carro!
Exemplos
com substitutos do “por quê”
Você não foi à festa de
formatura por qual motivo?
As crianças ainda não foram para a
escola. Por qual razão?
Se você estudou para fazer a prova,
está nervoso por qual motivo?
Andar 10 km a pé por qual razão? Vamos de carro!
Quando usar
“porquê” junto e com acento
Este "porquê" junto e com
acento circunflexo sempre precede
um artigo definido ou indefinido, passando a ter ação de substantivo.
Seu significado é causa e explicação, e por isso seus substitutos
podem ser “o motivo” ou “a razão”.
Exemplos
com “porquê”
As crianças não entenderam o porquê
do castigo.
O porquê do atraso não foi
esclarecido até agora.
Ainda não foi explicado o porquê de
tanto barulho no apartamento ao lado ontem à noite.
Diga-me um porquê para não ir ao
compromisso de amanhã.
Exemplos
com substitutos do “porquê”
As crianças não entenderam o motivo do castigo.
A razão do atraso não foi esclarecida até agora.
Ainda não foi explicado o motivo de tanto barulho no
apartamento ao lado ontem à noite.
Diga-me uma razão para não ir ao compromisso de amanhã.
Dicas para
o uso dos porquês
Embora as explicações sobre o uso dos
“porquês” sejam bastante claras e diretas, resumimos ainda mais cada uma dessas
ideias para que você consiga fixar o conteúdo sem dificuldade.
Por que: Escrito separado e sem acento, este “por que” é usado em frases
interrogativas e também como a união de "por'' com um pronome relativo.
Pode ser substituído por “pelo qual”, “pelos quais” etc.
Por quê: Escrito separado e com o acento, este “por quê” serve para quando a
expressão aparecer sozinha ou ao final das frases, significando “por qual
motivo”, “por qual razão”.
Porque: Escrito junto e sem acento, este “porque” é uma conjunção explicativa
ou causal. Pode ser substituído por “pois”, “uma vez que”.
Porquê: Escrito junto e com acento, este “porquê” se usa quando a sentença for
substantivada e sinônima de “motivo” ou “razão”.
Exercícios
sobre o uso dos porquês
1. Complete
as lacunas utilizando por que, por quê, porque e porquê:
Não sei o ___________ de tanta
empolgação.
Você não foi ao casamento _________?
Os caminhos __________ estavam sem
sinalização.
_________ não fica em casa nas
férias?
Ele voltou __________ estava cansado
de ficar longe dos pais.
Respostas:
porquê
por quê?
por que
Por que
porque
2.
Relacione a primeira coluna de acordo com a segunda, levando em conta o uso de
por que, porquê, por quê e porque:
a) ( ) Não fui ao mercado *** estava
doente.
b) ( ) *** Rodrigo não fala tudo o que sabe?
c) ( ) Não foi à festa ***?
d) ( ) Nem imaginas o *** de tanto sofrimento.
Porquê
Por quê
Por que
Porque
Respostas:
A - 4; B - 3; C - 2; D - 1
3. A
alternativa incorreta quanto ao uso dos porquês é:
a) Não contou o motivo por que não
foi à escola.
b) Estavam felizes porque o dia tinha acabado.
c) Eis o porquê do meu divórcio.
d) Ele não foi viajar por que estava trabalhando.
e) Porque houve um acidente na estrada, chegou atrasada à reunião.
Resposta: D
Coesão e
coerência textual: entenda o que são e as diferenças entre elas
Coerência e coesão textual:
conceitos importantes que garantem melhor compreensão de texto e melhor escrita
de redação de qualquer área.
Coesão e coerência textual são dois elementos que fazem com que um texto
cumpra sua função comunicacional. E isso serve para todos os tipos de produção
textual, seja uma dissertação, um e-mail, uma poesia ou uma carta.
Apesar de trabalharem juntas, elas não são a
mesma coisa. Ao longo do texto vamos mostrar com mais precisão suas diferenças
e suas complementariedades.
O que é coesão
De modo simples, a coesão é o uso de estruturas gramaticais que garantem a linearidade do texto, facilitam a leitura e constroem um sentido interno ao texto.
Sem o domínio dos elementos de coesão,
o texto não estará harmônico para ser bem compreendido pelo leitor.
Para tal, o escritor vai precisar
usar os chamados elementos de referência que podem ser:
Endofóricos e
Exofóricos.
Entenda:
1. Elementos endofóricos
Estes são os elementos responsáveis
pela ligação entre tudo que está dentro do texto. Eles são divididos em: anafóricos (quando
se referem a um termo já citado) e catafóricos (quando se
referem a um termo posterior). Observe o exemplo:
Rex e Lulu são animais de
estimação. Eles foram adotados por Júlia e agora ambos vivem
no apartamento dela.
O pronome “eles” se refere à Rex e
Lulu, é um elemento anafórico, porque o nome dos dois já havia sido
mencionado, da mesma forma que o pronome “ambos”.
A seguir mostraremos um exemplo de
uma frase com um elemento catafórico:
Ela encantava a todos com seus movimentos precisos e delicados, a dançarina
mascarada.
O pronome “ela” aparece antes
da informação de quem faz movimentos precisos e delicados, ou seja, a
dançarina mascarada. Por isso, tem uma função catafórica.
2. Elementos exofóricos
Estes elementos são aqueles que
apontam para fora do texto, que precisam ser contextualizados — a
apenas por meio do contexto é possível aferir de quem ou do que se fala.
Para esta função, são bastante
utilizados os pronomes demonstrativos, veja os exemplos:
Naquela parede nós colocaremos um quadro.
Esta blusa é mais bonita que aquela.
Além de entender a importância da
coesão e como ela influencia na coerência, é necessário conhecer os recursos
e tipos de coesão textual. Alguns recursos essenciais que promovem
a harmonia dos elementos do texto são:
Ordenação correta das palavras nos
períodos;
Utilização correta das flexões
nominais, como a flexão de gênero e número;
Uso adequado das flexões verbais,
como a flexão de: número, pessoa, modo e tempo;
Uso correto das preposições e
conjunções.
De modo geral, toda palavra que tem
função de conectivo pode ser considerada como um elemento de coesão que compõem
esses recursos essenciais alguns deles são: conjunções que
são responsáveis por organizar ideias opostas ou complementares; pronomes que
retomam partes anteriores ou que serão mencionadas a seguir e advérbios.
Exemplos:
Maria saiu de casa para ir ao
supermercado, mas (conjunção) estava chovendo, então (conjunção
conclusiva) retornou ao seu (pronome) quarto para (locução
prepositiva de finalidade) pegar o guarda-chuva, o qual (pronome
relativo) estava na gaveta.
Percebeu a variedade de conectivos que
um período pode ter? Elas são responsáveis por estabelecer as inter-relações
entre os termos, frases, orações e parágrafos.
Ampliar seu vocabulário e memorizar
os principais conectivos evita a repetição de alguns elementos, o que tornaria
seu texto repetitivo. Veja a tabela a seguir com os principais conectivos,
também chamados de palavras de transição.
|
Conectivos |
Exemplos |
|
Prioridade, relevância |
em primeiro lugar, antes de mais
nada, antes de tudo, em princípio, primeiramente, acima de tudo,
precipuamente, principalmente, primordialmente, sobretudo, a priori, a
posteriori |
|
Tempo (frequência, duração, ordem,
sucessão, anterioridade, posterioridade) |
então, enfim, logo, logo depois,
imediatamente, logo após, a princípio, no momento em que, pouco antes, pouco
depois, anteriormente, posteriormente, em seguida, afinal, por fim,
finalmente, agora, atualmente, hoje, frequentemente, constantemente, às
vezes, eventualmente, por vezes, ocasionalmente, sempre, raramente, não raro,
ao mesmo tempo, simultaneamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, nesse
hiato, enquanto, quando, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim
que, desde que, todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal, nem bem |
|
Semelhança, comparação,
conformidade |
igualmente, da mesma forma, assim
também, do mesmo modo, similarmente, semelhantemente, analogamente, por
analogia, de maneira idêntica, de conformidade com, de acordo com, segundo,
conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual, tanto quanto, como, assim
como, como se, bem como |
|
Condição, hipótese |
se, caso, eventualmente, desde que,
ainda que |
|
Adição, continuação |
além disso, demais, ademais,
outrossim, ainda mais, ainda por cima, por outro lado, também, e, nem, não só
… mas também, não só… como também, não apenas … como também, não só … bem
como, com, ou (quando não for excludente) |
|
Dúvida |
talvez, provavelmente,
possivelmente, quiçá, quem sabe, é provável, não é certo, se é que |
|
Certeza, ênfase |
de certo, por certo, certamente,
indubitavelmente, inquestionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com certeza |
|
Surpresa, imprevisto |
inesperadamente, inopinadamente, de
súbito, subitamente, de repente, imprevistamente, surpreendentemente |
|
Ilustração, esclarecimento |
por exemplo, só para ilustrar, só
para exemplificar, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a
saber, ou seja, aliás |
|
Propósito, intenção, finalidade |
com o fim de, a fim de, com o
propósito de, com a finalidade de, com o intuito de, para que, a fim de que,
para, como |
|
Lugar, proximidade, distância |
perto de, próximo a/ de, junto a/
de, dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali, este, esta, isto,
esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo, ante, a |
|
Resumo, recapitulação, conclusão |
em suma, em síntese, em conclusão,
enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, desse modo,
logo, pois (entre vírgulas), dessarte, destarte, assim sendo |
|
Causa e consequência. Explicação |
por consequência, por conseguinte,
como resultado, por isso, por causa de, na medida em que, em virtude de, de
fato, com efeito, tão (tanto, tamanho) … que, porque, porquanto, já que, uma
vez que, visto que, como (= porque), logo, que (= porque), de tal sorte que,
de tal forma que, haja vista, pois (anteposto ao verbo) |
|
Contraste, oposição, restrição,
ressalva |
pelo contrário, em contraste com,
salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto |
|
Ideias alternativas |
Ou, ou… ou, quer… quer, ora… ora,
seja… seja, já… já, nem… nem |
|
Proporcionalidade |
à proporção que, à medida que, ao
passo que, quanto mais, quanto menos |
Agora que conhecemos alguns recursos
que podem ser usados para assegurar a harmonia entre as partes do texto, vamos
conhecer os tipos de mecanismos de coesão textual, eles são classificados em
cinco tipos:
Referencial;
Por substituição;
Por elipse;
Por conjunção;
Lexical.
1. Coesão por referência
Este tipo de coesão textual é usado
para evitar a repetição dos termos dentro do que está sendo escrito.
Dessa forma, ela “faz referência”, ou
seja, aponta para outros elementos que já foram citados no texto e para
acrescentar novas informações sobre algo que já foi mencionado.
Exemplo:
Leonardo da Vinci e Michelangelo são artistas. Eles são uns dos nomes mais famosos
da história da arte.
A coesão por referência pode ser
elaborada por meio de três modos básicos:
Pessoal: Júlia e Alice eram amigas desde a infância. Mas elas não
sabiam que isso estava prestes a mudar. O pronome "elas" faz
referência aos termos anteriores "Júlia" e "Alice".
(referência pessoal anafórica);
Demonstrativa: A dor é parte da vida, esse é um fato que não se pode
escapar. A palavra "esse" faz referência à informação dada
anteriormente. (referência demonstrativa anafórica);
Comparativa: O resultado de 2+2 é o mesmo que 1+3. O conectivo
"mesmo" faz referência a uma equivalência ou igualdade em uma
comparação entre os termos "2+2" e "1+3". (referência
comparativa endofórica).
2. Coesão por substituição
A coesão substituição é realizada
quando usamos um termo no lugar de outro que tenha o mesmo valor que facilita a
construção da coesão e impede a repetição dos termos ao longo do texto. Pode
ser feito por meio da relação entre nomes, como mostramos no item anterior,
como referência pessoal anafórica, mas também pode ser:
Verbal: Lorraine estudou para o vestibular. Jonas fez o
mesmo. A ação de “estudar” é realizada por ambas as pessoas, contudo, na
segunda oração, o verbo “fazer” é utilizado como substituto do verbo “estudar”;
Frasal: Eduardo tem duas irmãs. Marcos também. O termo
"também" substitui "tem duas irmãs”.
3. Coesão por eclipse
Esse tipo de coesão se trata de
figura sintática que é usada com o propósito de evitar a repetição de um termo
(anafórico). Diferentemente da substituição, o termo da elipse é suprimido sem
que o sentido da frase ou período se perca. A elipse pode ser pessoal, verbal
ou frasal.
Pessoal: Gabriel perdeu as chaves da casa e ficou preocupado. Gabriel
perdeu as chaves de casa e (ele) ficou preocupado. Foi feita a
elipse do pronome pessoal "ele";
Verbal: Adriana foi para Miami e depois para Nova York. Adriana foi para Miami
e depois (foi) para Nova York. Ocorreu a elipse do verbo
"ir";
Frasal: Na Páscoa a demanda por chocolates é grande e no Dia dos Namorados
também. Na Páscoa a demanda por chocolates é grande e no Dia dos
Namorados (a demanda por chocolates é grande) também. Pode-se
observar a elipse da frase " a demanda por chocolates é grande ".
4. Coesão por conjunção
No caso das conjunções sua função é
conectar e estabelecer relações entre orações ou palavras, mantendo a conexão
entre as partes do texto e, portanto, é um elemento de coesão. Dos vários tipos
de conjunções existentes, podemos dividi-los em dois grupos:
Conjunções coordenativas: aditivas, adversativas, causais, temporais e continuativas.
Exemplos:
Mariana é uma pessoa forte e honesta. (aditiva);
Tudo vale a pena, se a alma não é pequena – Fernando Pessoa. (adversativa);
Conjunções subordinativas: integrantes, causais, comparativas, concessivas, condicionais,
conformativas, consecutiva, temporais, finais e proporcionais.
Exemplos:
Se você não for, eu não vou. (condicional);
Tão logo cheguei em casa, começou a chover. (temporal)
5. Coesão lexical
Por fim, a coesão lexical que se
trata da repetição (reiteração) ou substituição de um termo por outro que tenha
sentido semelhante. Para ter este efeito são usados estes recursos:
Reiteração: consiste na repetição do mesmo vocábulo ou na substituição por
outro de mesmo valor semântico.
Exemplo: Imaginar que o racismo no Brasil não existe é não
querer aceitar a realidade dos fatos. Trata-se, na verdade, do pior tipo
de racismo, além de perverso, pois não se manifesta muito
abertamente.
Substituição lexical: consiste na substituição de uma unidade lexical por outra que, com ela,
mantém a mesma ideia de sentido. Pode ocorrer por meio de:
Pronomes: O Papa Francisco foi
nomeado em 2013. Vossa Santidade se tornou muito popular por
meio das redes sociais. (O pronome de tratamento substitui o nome do líder da
Igreja Católica);
Sinônimos: se trata da substituição
de um vocábulo por outro de mesmo sentido
Exemplo: Houve época, nas tradições hebraicas, em que se associava a figura
do juiz à do criador do universo, quando o magistrado obrava,
fosse por uma hora, com inteireza sua sentença. (magistrado sinônimo de juiz);
Quase Sinônimo: é realizado por meio
da substituição de um vocábulo por outro que, embora não possua o mesmo
sentido, de acordo com o contexto retoma o vocábulo anterior.
Exemplo: Os jornalistas protestaram após a decisão do STF
quanto à não necessidade de diploma para o exercício da profissão. Segundo o
sindicado da categoria, essa decisão é afronta à prática de um
jornalismo profissional e eficiente. (Categoria substitui jornalista, que nesse
contexto tem um valor de sinônimo);
Hiperônimo e Hipônimo: trata-se da
relação que existe entre um vocábulo de sentido genérico (hiperônimo) e outro
de sentido específico (hipônimo).
Exemplo: De todos os répteis, o mais violento é, sem dúvidas,
o jacaré. (A palavra jacaré é hipônima de répteis e répteis é o
hiperônimo de jacaré).
O que é coerência?
O objetivo da coerência é preservar o
sentido (nexo) do texto e assegurar que a intenção do escritor possa
ser recebida e compreendida pelo leitor. Ou seja, a coerência diz
respeito à visão total do texto, ao contrário da coesão que trata
da estrutura interna dos elementos que compõem o texto.
Para que esse objetivo seja
alcançado, o escritor precisa garantir que estejam presentes no seu texto
critérios (lógicos) que vão dar sentido a ele em relação ao
mundo (externo ao texto).
O sentido de um texto e a coerência
estão relacionados aos conhecimentos prévios (anteriores a leitura) que eles
ativam.
Princípios da coerência textual
Neste momento vamos apresentar os
principais conceitos da coerência textual e como eles são podem ser empregados
nas frases.
Princípio da não contradição: O texto não deve possuir contradições de ideias internas entre
diferentes partes dele.
Coerência correta: Ele só compra leite de soja pois é intolerante à lactose.
Erro de coerência: Ele só compra leite de vaca pois é intolerante à lactose.
Justificativa: A segunda frase apresenta erro de incoerência (não faz sentido),
porque quem é intolerante à lactose não pode consumir leite de vaca.
Princípio da não tautologia: Mesmo que sejam usadas palavras diferentes, o texto e as ideias dentro
dele não devem se repetir. A repetição pode comprometer a compreensão da
mensagem do texto e causar redundância (tautologia).
Coerência correta: Visitei a Torre Eiffel há um ano.
Erro de coerência: Visitei a Torre Eiffel há um ano atrás.
Justificativa: o uso do verbo haver na sua forma "há" já indica que esta é
uma ação que ocorreu no passado. Então ao colocar a palavra "atrás", que
também indica que a ação ocorreu no passado, não acrescenta nenhum valor e
apenas faz com que ela se torne repetitiva.
Princípio da relevância: a organização do texto deve seguir uma sequência lógica de eventos
relacionados entre si, as ideias não devem ser fragmentadas e necessárias ao
sentido da mensagem. Caso a ordem das ideias esteja incorreta, mesmo que
isoladamente elas apresentem sentido, o entendimento do texto como um todo é
comprometido.
Coerência correta: O dia estava muito frio, nevava muito. Então o homem decidiu usar seu
casaco marrom para ir ao trabalho.
Erro de coerência: O dia estava muito frio, nevava muito. Então o homem decidiu usar uma
roupa de praia para ir ao trabalho.
Justificativa: Note que, embora as frases façam sentido isoladamente, a ordem de
apresentação da informação torna a mensagem confusa. Uma vez que está nevando
muito, usar uma roupa de praia na rua é um risco para a saúde do nosso
personagem.
Continuidade temática: Esse conceito é importante para assegurar que o texto mantenha a
sequência dentro de um mesmo assunto. Quando este conceito não é respeitado, a
pessoa que lê a mensagem fica com a sensação de que o assunto foi mudado
repentinamente.
Coerência correta: Meu hobby nos finais de semana é cuidar do jardim, gosto de plantar
flores, rosas e pequenos arbustos. Ainda pretendo investir no cultivo de
hortaliças.
Erro de coerência: Meu hobby nos finais de semana é cuidar do jardim, gosto de plantar
flores, rosas e pequenos arbustos. Mas ainda pretendo investir na bolsa de
valores.
Justificativa: Repare que no segundo exemplo, o narrador acaba fazendo uma mudança
súbita de assunto, apesar do uso adequado do sentido de investir, o tema a que
ele se refere nada tem a ver com o que estava sendo dito anteriormente.
Progressão semântica: o cumprimento desse conceito garante a inserção de novas informações no
texto, dando seguimento no assunto e finalizando a proposta comunicativa.
Quando isso é aplicado, a leitura pode se tornar longa e arrastada e que nunca
alcança seu objetivo final.
Coerência correta: Os amigos estavam passeando pela mata e decidiram parar um pouco para
recuperar o fôlego. Durante o repouso ouviram um barulho, como passadas se
aproximando delas, de repente foram surpreendidos por um animal selvagem.
Erro de coerência: Os amigos estavam passeando pela mata e decidiram parar um pouco para
recuperar o fôlego. Durante o repouso ouviram um barulho, como passadas se
aproximando deles, a cada nova respiração, o barulho se aproximava mais um
pouco e mais um pouco. Aumentando o suspense no ar, os corações acelerados, o
corpo tenso...
Justificativa: Apesar das frases fazerem sentido e respeitarem uma sequência
narrativa lógica, a segunda prolonga demais os detalhes da cena que acabam por
atrapalhar o leitor a acompanhar a história e o desfecho é embromado.
Recomendações: como criar coerência
textual?
A partir do que aprendemos sobre os
princípios que precisam ser respeitados para garantir a coerência do texto.
Outros elementos que podem te ajudar a garantir que a mensagem do texto seja
compreensível.
Antes de fazer um texto, procure
estruturar previamente a ideia principal e as ideias secundárias
nas quais o conteúdo estará baseado. Durante o processo de produção, escreva de
forma simples, objetiva e concisa, definindo uma linha de raciocínio e
pensamento lógico, cruzando ideias e fatos de forma harmônica.
Além disso, distribua as informações
importantes do texto sem deixar de enfatizá-las, exponha informações
suficientes sobre o assunto e prove que tem domínio do assunto que está sendo
apresentado.
O que deve ser evitado na coerência
textual é o uso de palavras desnecessárias e repetitivas, ideias redundantes e
contraditórias, informações e fatos isolados que não encadeiam com as ideias
apresentadas anterior e posteriormente.
Também é recomendado que se evite o
uso de frases muitos longas ou frases prontas, como clichês, jargões e
estrangeirismos. Em suma, tenha cuidado para não utilizar recursos que
desfavoreçam ou enfraqueçam seu discurso.
Fatores de Coerência
Com o objetivo de te ajudar a cumprir
as recomendações anteriores, vamos lhe apresentar fatores que contribuem para a
coerência de um texto, considerando sua amplitude:
1. Conhecimento de Mundo
Conjunto de saberes que adquirimos e
acumulamos ao longo da nossa experiência de vida. Eles são chamados
de frames (rótulos), esquemas (planos de funcionamento, como a
rotina alimentar: café da manhã, almoço e jantar), planos (planejar algo com um
objetivo, tal como estabelecer metas), scripts (roteiros, tal
como se portar numa entrevista de emprego).
Exemplo: Peru, Panetone, ovos de chocolate, frutas e nozes. Tudo a postos
para a Festa Junina!
Uma questão cultural nos leva a
deduzir que a frase acima é incoerente. Visto que “peru, panetone, ovos de
chocolate, frutas e nozes” (frames) são elementos que pertencem à outras
celebrações nacionais e não à festa junina.
2. Inferências
Por meio das inferências, que também
podemos chamar de deduções, as informações que estão sendo
apresentadas no texto podem ser simplificadas. Caso partamos do pressuposto de
que os leitores ou interlocutores do texto ou mensagem partilham do mesmo
conhecimento.
Exemplo: Quando os chamar para jantar não esqueça que eles veganos. (Ou
seja, em princípio, esses convidados não comem produtos de origem animal)
3. Fatores de contextualização
Existem fatores e informações que
inserem e situam o interlocutor (leitor) na mensagem, assegurando o
entendimento do texto, como os títulos de uma notícia ou a data de uma mensagem
ou fato histórico.
Exemplo: O uso das ombreiras era uma moda muito comum na década de 80.
4. Informatividade
Este elemento, especialmente, garante
que o seu texto tenha mais credibilidade e seja mais interessante. Mas cuidado!
O uso de uma informação isolada e reforçá-la sem um contexto ou desenvolvimento
pode desvalorizar o texto.
Exemplo: Marrocos foi colonizada pela França.
Diferença entre coesão e coerência
Assim como no Exame Nacional do
Ensino Médio (Enem), qualquer atividade requer o entendimento e o bom uso da
coesão e da coerência e em todas as suas atividades. Uma vez que qualquer
estudo, trabalho, texto ou mensagem precisam ser lidas e interpretadas corretamente.
A coesão é responsável pelas
estruturas que organizam a superfície dos textos e que levam à construção da
coerência, do sentido do que está sendo escrito. Ao mesmo tempo a coerência,
que é o conteúdo e a intenção do texto, precisa estar explícita de uma forma
coesa.
Podemos concluir que coesão e
coerência são complementares e estão relacionadas às regras essenciais para a
produção de bons textos, apesar de suas diferenças e especificidades. E vale
lembrar, que apesar de um texto ser coeso ele pode ser incoerente ao mesmo
tempo.
Com o propósito de delimitar os
domínios de cada um desses elementos textuais, vamos assinalar algumas
diferenças elementares entre eles.
O ponto fundamental da coesão
textual está ligado às regras gramaticais, em outras palavras, tem a ver com a
articulação interna dos termos. Já a coerência textual, do contrário, se ocupa
da articulação externa e mais profundada do texto, que é o seu conteúdo.
Quando tratamos de coesão
estamos nos referindo a estrutura e como um texto é organizado. Para atingir
este objetivo, todas as partes que o constituem precisar estar ligadas entre si
por meio de elementos conectivos. Ao passo que a coerência está relacionada à
articulação lógica de ideias e ao sentido interno e externo a mensagem
construída.
E todos os elementos que
constroem a coesão visam assegurar a conexão entre frases, orações e parágrafos
do texto. De forma alguma um texto coeso pode ser composto por uma sequência de
frases isoladas umas das outras.
Pelo contrário, os elementos
anafóricos (remetem ao que já foi dito) e catafóricos (remetem ao que será
dito) precisam ser bem articulados fazendo com que o texto seja fluido e
compreensível em seu todo.
Finalmente, a coerência é o
elemento responsável pelo sentido (conteúdo e significado) do texto. Dado que
toda mensagem é um ato de comunicação, seja uma dissertação, um e-mail, um
poema, é indispensável que ele tenha sentido para quem envia a mensagem
(emissor – quem escreve/ cria) e para quem a recebe (receptor – quem lê e ouve).
Que chamamos de nexo, a conexão
entre fatos e ideias que compõem a mensagem, essenciais para garantir a
coerência textual.
Exercícios sobre coesão e
coerência
1. (Enem 2011) Cultivar um
estilo de vida saudável é extremamente importante para diminuir o risco de
infarto, mas também de problemas como morte súbita e derrame. Significa que
manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente já
reduz, por si só, as chances de desenvolver vários problemas. Além disso, é
importante para o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de
glicose no sangue. Também ajuda a diminuir o estresse e aumentar a capacidade
física, fatores que, somados, reduzem as chances de infarto. Exercitar-se,
nesses casos, com acompanhamento médico e moderação, é altamente recomendável.
(ATALIA, M. Nossa vida. Época. 23 mar. 2009).
As ideias veiculadas no texto se
organizam estabelecendo relações que atuam na construção do sentido. A esse
respeito, identifica-se, no fragmento, que
a) a expressão “Além disso”
marca uma sequenciação de ideias.
b) o conectivo “mas também”
inicia oração que exprime ideia de contraste.
c) o termo “como”, em “como
morte súbita e derrame”, introduz uma generalização.
d) o termo “Também” exprime uma
justificativa.
e) o termo “fatores” retoma
coesivamente “níveis de colesterol e de glicose no sangue”.
2. (Simulado INEP) Aumento do
efeito estufa ameaça plantas, diz estudo.
O aumento de dióxido de carbono
na atmosfera, resultante do uso de combustíveis fósseis e das queimadas, pode
ter consequências calamitosas para o clima mundial, mas também pode afetar
diretamente o crescimento das plantas. Cientistas da Universidade de Basel, na
Suíça, mostraram que, embora o dióxido de carbono seja essencial para o
crescimento dos vegetais, quantidades excessivas desse gás prejudicam a saúde
das plantas e têm efeitos incalculáveis na agricultura de vários países. (O
Estado de São Paulo, 20 set. 1992, p.32).
O texto acima possui elementos
coesivos que promovem sua manutenção temática. A partir dessa perspectiva,
conclui-se que
a) a palavra “mas”, na linha 2,
contradiz a afirmação inicial do texto: linhas 1 e 2.
b) a palavra “embora”, na linha
4, introduz uma explicação que não encontra complemento no restante do texto.
c) as expressões: “consequências
calamitosas”, na linha 2, e “efeitos incalculáveis”, na linha 6, reforçam a
ideia que perpassa o texto sobre o perigo do efeito estufa.
d) o uso da palavra “cientistas”, na linha 3, é
desnecessário para dar credibilidade ao texto, uma vez que se fala em “estudo”
no título do texto.
e) a palavra “gás”, na linha 5,
refere-se a “combustíveis fósseis” e “queimadas”, nas linhas 1 e 2, reforçando
a ideia de catástrofe.
3. (Enem 2013) Gripado, penso
entre espirros em como a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios
entre línguas. Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe que disseminou pela
Europa, além do vírus propriamente dito, dois vocábulos virais: o italiano
influenza e o francês grippe. O primeiro era um termo derivado do latim
medieval influentia, que significava “influência dos astros sobre os homens”. O
segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper, isto é, “agarrar”.
Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do
organismo infectado. (RODRIGUES. S. Sobre palavras. Veja, São Paulo, 30 nov.
2011).
Para se entender o trecho como
uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus
elementos. Nesse texto, a coesão é construída predominantemente pela retomada
de um termo por outro e pelo uso da elipse. O fragmento do texto em que há
coesão por elipse do sujeito é:
a) “[…] a palavra gripe nos
chegou após uma série de contágios entre línguas.”
b) “Partiu da Itália em 1743 a
epidemia de gripe […]”.
c) “O primeiro era um termo
derivado do latim medieval influentia, que significava ‘influência dos astros
sobre os homens’.”
d) “O segundo era apenas a forma
nominal do verbo gripper […]”.
e) “Supõe-se que fizesse
referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.”
Gabarito
A
C
E
FONTES:
SUGESTÃO PARA LEITURA: FUNÇÕES DA LINGUAGEM
https://www.concursosnobrasil.com.br/escola/portugues/coesao-e-coerencia-textual.html
https://concursosnobrasil.com/escola/portugues/como-usar-porque.html




Nenhum comentário:
Postar um comentário