Uma Introdução reflexiva pra você sobre CV (Concordância Verbal) e Concordância Nominal (CN).
- vídeo 02 - Localize os verbos e os casos em que há
ou não a concordância deles com os sujeitos. Por que você acha que em alguns momentos
do poema há a marcação da concordância e em outros não?
O gênero poema é considerado um gênero
mais monitorado no que tange à linguagem utilizada. Nesse caso, você considera
que se trata de um poema em que a poeta monitorou a sua linguagem ou não? Há
uma estratégia por parte da poeta por ter agido dessa forma?
Leia o trecho a seguir do poema de Luz Ribeiro e responda às questões abaixo:
“E os minino corre, corre
Faz seus corre, corre, corre
Podia ser adaga, flecha, lança
Mas é lançado pra fora
Vive pela margem”
a) O verbo “correr” não concorda
com o sujeito no verso em que se apresenta. Você acredita que seja uma
estratégia da poeta?
b) Você conhece o duplo sentido da
palavra “corre” apresentada no texto?
c) A palavra “corre” está
relacionada a outro trecho do texto? Qual?
Quais
são as 7 regras de concordância nominal?
Confira
quais são:
Um
substantivo + um adjetivo.
Mais
de um substantivo + um adjetivo.
Concordar
com o substantivo mais próximo.
Concordar
com todos os substantivos.
Inserir
o artigo antes do último adjetivo.
Inserir
o artigo concordando com o substantivo no plural.
O
que é a concordância verbal?
O
tema da CV perpassa a vida escolar e é abordado nas gramáticas normativas e nos
LD, tanto no Ensino Fundamental quanto no Médio. Esse fenômeno linguístico pode
ser estudado sob diferentes perspectivas, que irão direcionar o trabalho
realizado pelo professor na sala de aula. Para contextualizar e conceituar tal
fenômeno, buscamos em duas gramáticas, de Bechara (2009) e de Perini (2010) 1 ,
para compreender qual o tratamento dado ao fenômeno.
Para Bechara (2009, p. 654, grifos do
autor) “[...] em português a concordância consiste em se adaptar a palavra determinante ao gênero,
número e pessoa da palavra determinada. [...] Diz-se concordância verbal a que
se verifica em número e pessoa entre o sujeito (e às vezes o predicativo) e o
verbo da oração”. Em seguida, o autor continua expondo as situações de uso mais
complexo da CV, como, por exemplo, na situação em que é necessário adequar o
verbo ao sujeito composto, anteposto e posposto.
Ainda
no capítulo sobre CV, Bechara afirma que: Na língua oral, em que o fluxo do
pensamento corre mais rápido que a formulação e estruturação da oração, é muito
comum enunciar primeiro o verbo – elemento fulcral da atividade comunicativa –
para depois se seguirem os outros termos oracionais. Nestas circunstâncias, o
falante costuma enunciar o verbo no singular, porque ainda não pensou no
sujeito a quem atribui função predicativa contida no verbo; se o sujeito, neste
momento, for pensado como pluralidade, os casos de discordância serão aí
frequentes. [...].
A
língua escrita, formalmente mais elaborada, tem meios de evitar estas
discordâncias. (BECHARA, 2009, p. 656, grifos nossos)
Em maio de 2011, o Programa Nacional do
Livro Didático (PNLD) aprovou uma lista de livros didáticos que deveriam ser
utilizados nas escolas e, entre eles, estava o livro “Por uma vida melhor” de
Heloísa Ramos, destinado aos alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos). Tal
aprovação causou polêmica, pois o capítulo denominado “Ler é diferente de
falar”, direciona o aluno a tratar das variedades linguísticas excluindo a noção
de “certo/errado” e propondo a de “adequado/inadequado”.
Um dos exemplos que constitui o
capítulo é: “nós pega o peixe” (RAMOS, 2011, p. 15); trata-se de uma oração que,
de acordo com a gramática normativa, apresenta desacordo verbal, mas que é comum
na fala dos brasileiros.
Os exemplos foram muito criticados em diferentes sites de notícias e blogs3, os quais acusavam a autora de ensinar a LP de maneira “errada” aos alunos.
Outro exemplo sobre como o uso da CV é associado ao prestígio social é o
caso da jornalista Maria Júlia Coutinho (também conhecida como Maju Coutinho).
Além de lidar com o preconceito racial por ser negra, quando assumiu a
apresentação de um jornal televisivo com considerado índice de audiência, em
reconhecida emissora de TV e com transmissão aberta para todo o país, sofreu
inúmeras críticas por, algumas vezes, não fazer o uso da CV de acordo com a
gramática normativa em sua fala. Orações como “a maioria estão” e “as manchas
de óleo continua” foram destacadas como “erros” da apresentadora.
Os dois exemplos que mostramos acima
giram em torno do uso da CV e trazem à tona uma discussão sobre prestígio
social. Um LD que é criticado e uma jornalista que é descredibilizada são
situações em que o uso em acordo com a gramática normativa é mais prestigiado
do que a compreensão no momento da comunicação.
Entretanto, existem alguns usos da CV
previstos nas gramáticas que podem favorecer a ausência da concordância, como o
caso do
sujeito posposto e da concordância ideológica.
Para compreender o caso do sujeito posposto, primeiro é preciso reconhecermos que na LP há a predominância de uma ordem, denominada ordem direta, ou seja, sujeito + verbo + objeto, porém, também é comum encontrarmos alguns termos em outras posições na oração. É justamente isso que se entende por ordem inversa ou invertida, na qual alguns termos são encontrados em combinação contrária ao esperado (ex.: verbo + sujeito = sujeito posposto), como, por exemplo, na oração: “Compareceram à reunião os alunos do Ensino Médio”.
O segundo caso, chamado de concordância
ideológica ou silepse, acontece quando o termo flexionado concorda com
a ideia do contexto geral da frase e não segue critérios gramaticais. A
concordância ideológica pode ser de pessoa, gênero e/ou número, como por
exemplo: “O brasileiro é um povo persistente, não desistem nunca”.
Observamos que em algumas situações o
uso da CV, na LP, é desfavorecido, o que contribui para o desacordo.
Entretanto, é preciso ressaltar que a concordância ideológica, por exemplo, é
muito comum em textos literários, histórias em quadrinhos e letras de música,
mas esses textos nem sempre são criticados ou descreditados.
Logo, concordamos com as reflexões de
Bagno (2012) sobre as concordâncias, tanto verbal quanto nominal (apesar desta
última não fazer parte dos enfoques deste trabalho), serem responsáveis por
estigmatizar e “separar” os que falam “certo” e os que falam “errado”. E, para
seguirmos para as próximas discussões deste artigo, retomamos suas palavras:
“não existe ninguém que realize a concordância em todas as circunstâncias previstas
pela gramática normativa, nem mesmo em textos escritos mais monitorados”
(BAGNO, 2012, p. 641).
Rissato (2018) esclarece: Para um
falante nativo de língua portuguesa, dizer “Os meninos comeram” ou “Os meninos comeu”,
com ausência de concordância verbal, promoverá o mesmo significado,
comprovando que a não realização da CV não pode ser considerada erro. Neste
caso, o que ocorreu foi apenas uma inadequação à norma culta da língua. Os
alunos precisam ser levados a compreender que determinados contextos, mais
formais e monitorados, exigem que eles marquem a CV de acordo com a norma
culta, como em uma entrevista de emprego ou em um vestibular. O ensino precisa,
portanto, ser reflexivo e não impor uma variedade linguística simplesmente por
questão de prestígio.(RISSATO, 2018, p. 148, grifos da autora).
Entendemos que o uso ou não da CV deve
acontecer de maneira reflexiva, por isso, o ensino deve permitir que
o aluno saiba distinguir os contextos que exigem uma maior monitoração e formalidade
dos que não exigem. Assim, em uma situação de comunicação, irão saber quais
variações são adequadas para o momento, sem imposições.
O uso da CV está relacionado, também,
ao gênero textual. Por exemplo, os gêneros bilhete, ligação telefônica com
algum familiar, mensagem instantânea para algum amigo, post pessoal no Facebook
etc., são gêneros que não exigem alto grau de monitoração. Em contrapartida,
outros gêneros como entrevista, redação de vestibular, artigo científico,
conferência acadêmica, entre outros, ao contrário dos anteriores, exigem alto
grau de monitoração. Dessa forma, o aluno deve reconhecer quais adequações são
necessárias em sua fala e também em sua escrita considerando, também o gênero.
Esse reconhecimento deve ser espontâneo e desprovido de preconceitos.
De acordo com os estudos de Vieira e
Brandão (2014), a gramática normativa concebe a língua como algo homogêneo. Por
isso, o seu ensino é, constantemente, associado à noção de “certo” e “errado”,
o que acentua uma visão de que só há uma possibilidade na língua. Entretanto,
as autoras discordam desse posicionamento e afirmam que “escrever bem” deveria
ser associado a “escrever de maneira clara” e não, necessariamente, “escrever
correto”. Para Bortoni-Ricardo et al. (2014), a melhor maneira de se abordar a variação da CV
dentro da sala de aula é relacionando-a aos diversos fatores que a influenciam,
como o sujeito posposto e a concordância ideológica, comentados no tópico
anterior deste artigo."
Vamos
as resoluções de questões:
Questão 1
Leia e analise as frases com relação às regras de concordância
nominal:
1. A moça e o rapaz sentaram-se na sala.
2. A moça e o rapaz alto sentou-se na sala.
3. A moça alta e o rapaz alto sentou-se na
sala.
4. A moça e o rapaz altos sentaram-se na
sala.
5. A moça e os rapazes altos sentaram-se na
sala.
a) Estão corretas as frases 1, 2 e 5.
b) Estão erradas as frases 3, 4 e 5.
c) Estão corretas as frases 1, 2, 3 e 5.
d) Estão corretas as frases 1, 4 e 5.
e) Apenas a 1 está correta.
Questão 2
Marque a alternativa que apresenta uma frase com equívoco de
concordância nominal:
a) As pessoas foram tomadas de uma alegria, esperança e emoção
contagiantes na abertura dos jogos olímpicos.
b) Saí ontem com os campeões André e Beatriz.
c) Quando vamos ao cinema, gostamos de comprar pipocas.
d) A mulher e o homem pareciam assustados.
e) Os alunos consideraram difícil o simulado e a redação.
Questão 3
(ITA - 1997) - Assinale a opção que completa corretamente as
lacunas do texto a seguir:
"Todas as amigas estavam _______________ ansiosas
_______________ ler os jornais, pois foram informadas de que as críticas foram
______________ indulgentes ______________ rapaz, o qual, embora tivesse mais
aptidão _______________ ciências exatas, demonstrava uma certa propensão
_______________ arte."
a) meio - para - bastante - para com o - para - para a
b) muito - em - bastante - com o - nas - em
c) bastante - por - meias - ao - a - à
d) meias - para - muito - pelo - em - por
e) bem - por - meio - para o - pelas – na
Questão 4
(CESGRANRIO) Há concordância nominal inadequada em:
a) clima e terras desconhecidas;
b) clima e terra desconhecidos;
c) terras e clima desconhecidas;
d) terras e clima desconhecido;
e) terras e clima desconhecidos.
GABARITO COMENTADO:
Resposta Questão 1
Letra D:
Na frase 1, temos: A moça e o rapaz
(eles) sentaram-se na sala. O verbo no plural concorda com o sujeito no plural. Na frase 4, temos: A moça e o rapaz
(eles são) altos sentaram-se na sala. O adjetivo e o verbo no plural concordam
com o sujeito no plural. Na frase 5, temos: A
moça e os rapazes (eles são) altos sentaram-se na sala. O adjetivo 'altos' no
plural concorda com o sujeito no plural.
Resposta Questão 2
Letra
E: Quando o adjetivo 'difícil'
desempenha a função de predicativo de sujeito ou objeto cujo núcleo é ocupado
por mais de um substantivo (simulado e redação), é necessário flexioná-lo no
plural.
Resposta Questão 3
Letra
A: Meio (advérbio de modo não
concorda com o sujeito no plural); para (preposição); bastante (advérbio de
intensidade não concorda com o substantivo 'críticas' no plural); 'para com o'
(com relação ao) concorda com o substantivo rapaz no singular; para/para a
(preposição).
Resposta Questão 4
Letra
C: Na frase 'terras e clima
desconhecidas', o adjetivo 'desconhecidas' está concordando com o sujeito
feminino plural 'terras' apenas. De acordo com a regra, quando o sujeito é
composto, o adjetivo deve concordar com o substantivo masculino, se houver.
https://exercicios.mundoeducacao.uol.com.br/exercicios-gramatica/exercicios-sobre-concordancia-verbal-nominal.htm#resposta-3856


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