Funções da linguagem: principais tipos e exemplos
Confira uma breve explicação a respeito das seis principais funções da linguagem e veja exemplos práticos para identificá-las em frases.
Estudar as funções da linguagem é estudar elementos da comunicação. Os teóricos dessa área apontam a existência de pelo menos seis funções principais da linguagem, e é fundamental entender esses conceitos para conseguir trabalhar melhor com questões relacionadas à interpretação de texto, o que culmina também em uma maior habilidade de leitura e escrita.
Confira, a seguir, uma breve explicação a respeito das seis principais funções da linguagem.
Função referencial ou denotativa
Esta função está relacionada com a informação, e seu intuito é, basicamente, o de fazer com que uma informação seja repassada de forma clara, objetiva e condizente com a realidade, sem que haja espaço para uma interpretação equivocada.
Na função referencial, é importante valorizar a apresentação de dados, circunstâncias, fatos e fontes e não de “achismos”. Alinhada a essa apresentação objetiva da realidade está o dever de contextualizar tais informações de acordo com tempo histórico, fatores culturais, localidade, sistema político vigente e outros elementos que cumpram esse papel de relevar as circunstâncias dentro das quais o fato existe.
Considerando esses conceitos, fica fácil entender a relação da função referencial ou denotativa com os textos jornalísticos, que precisam ser construídos com base em fatos, contextualização e objetividade. Além dos textos noticiosos, artigos acadêmicos, publicações científicas, manuais e textos didáticos são exemplos de produções fundamentadas na função referencial da linguagem.
Exemplo:
“Na próxima quinta-feira (29), às 14h, a Comissão de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Assuntos Metropolitanos da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) realizará uma audiência pública para discutir a situação da falta de água que afeta a Grande Curitiba desde o ano passado”. (Trecho extraído da matéria “Audiência pública discute crise hídrica em Curitiba”, publicada no site do jornal Plural).
Função emotiva ou expressiva
Ao contrário da função referencial, a função emotiva ou expressiva da linguagem é aquela que usa elementos mais abstratos, subjetivos e relacionados às emoções particulares de cada indivíduo. A intenção, portanto, é a de emocionar quem está lendo e revelar os sentimentos de quem escreve.
A linguagem, neste caso, não precisa ser direta, clara e objetiva, mas usa a liberdade emocional do autor, que visa validar seus sentimentos, desejos ou opiniões – ou seja: a mensagem principal é focada no interlocutor.
Dentro desta função da linguagem estão textos como diários, poemas e artigos opinativos. Todos eles são escritos a partir do ponto de vista de quem escreve, sem que haja qualquer necessidade de imparcialidade ou obrigatoriedade da apresentação de fatos e dados, como no caso de poemas.
Exemplo:
“A cena me comove. Nós, animais humanos, pelas mais diversas razões, ocupamos tudo. Debatemos muito a violência entre nós, a desigualdade de forças. Mas é de outra ordem o que fazemos com os animais não humanos. Como diz a atriz Marion Cotillard, que também viaja no Arctic Sunrise, ‘os humanos acham que todos os lugares são a casa deles’”.
(Trecho do texto “O som da Antártida”, de Eliane Brum, publicado no site do El País)
Função poética
Esta função da linguagem costuma ser confundida com a função emotiva, mas é importante entender as diferenças entre uma e outra. Na função poética, o foco principal é a mensagem, não necessariamente o autor.
A mensagem da função poética pode ser percebida na estética do texto escrito e em sua própria estrutura. Neste estilo de texto, há mais uso de linguagem conotativa, figuras de linguagem (como metáforas e hipérboles), e um cuidado com o ritmo do texto e com a sonorização das palavras.
Entre os estilos de texto que apresentam a função poética estão poemas, romances literários, campanhas publicitárias e letras de música.
Exemplo:
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
(Estrofe da música “Poema”, de Ney Matogrosso)
Função fática
Chamada também de função de contato, a função fática é focada no canal da mensagem, com o intuito de comprovar a eficácia do meio de comunicação. Um exemplo clássico da função fática é o uso de expressões como “alô?”, “está me ouvindo?”, “tem alguém aí?” e “oi?” em ligações telefônicas.
A função fática está presente, portanto, em diálogos, saudações e cumprimentos. São exemplos as seguintes expressões:
- Boa tarde!
- Oi, como você está?
- Tudo bem?
- Está entendendo?
- E aí, beleza?
- Pois não?
Função conativa ou apelativa
Esta função da linguagem é direcionada ao convencimento do interlocutor, ou seja, da pessoa que recebe a mensagem. Na função conativa estão as mensagens de aconselhamento, ordem e também aquelas com cunho didático.
É comum o uso de verbos no imperativo, mostrando que a pessoa que dá a mensagem tem a intenção de convencer, influenciar, ensinar o receptor. A função apelativa está presente, portanto, em livros didáticos, discursos de cunho político, peças de publicidade e também em cartas argumentativas.
Exemplo:
“A Sadia é a nova patrocinadora oficial da NBA. E qual é o seu time preferido? Lakers? Celtics? Nets? Bulls? Ou nuggets? Hummm… Nuggets! Amantes da NBA, essa vai ser a temporada mais saborosa da história, e você vai acompanhar enterradas com pizza, assistências com chicken wings, box com mac and cheese e arremessos com nuggets! Sadia: para quem tem fome de NBA”. (Campanha Fome de NBA, da Sadia).
Função metalinguística
Neste tipo de função da linguagem, temos um foco no código da mensagem, ou seja, a linguagem fala sobre a própria linguagem. Na função metalinguística, o código se apropria do próprio código para criar conceitos e se definir.
A função metalinguística tem o intuito de explicar alguma coisa, utilizando uma linguagem autoexplicativa. Esse tipo de texto é encontrado em diversos momentos, como nos roteiros de cinema, nas propagandas, em livros de gramática, dicionários, pinturas e sinais de trânsito.
Exemplos:
Um filme sobre a produção cinematográfica,
Uma pintura de um artista pintando,
Uma fotografia de um fotógrafo fotografando,
A propaganda de uma campanha publicitária,
Um poema que fala sobre poesia,
Uma música sobre a música.
Eu vou fazer uma canção pra ela
Uma canção singela, brasileira
Para lançar depois do carnaval
[...]
Eu vou fazer uma canção de amor
Para gravar num disco voador
(Estrofes da música “Não idenTIficado”, de Caetano Veloso).
Funções da Linguagem e Comunicação
Analisando as definições de cada tipo de função da linguagem, é possível perceber que cada tipo de mensagem tem um intuito próprio:
- Expressar uma emoção, um sentimento,
- Dar voz à linguagem poética,
- Passar uma informação de forma direta e clara,
- Checar a atividade do canal de comunicação,
- Criar uma mensagem a respeito da própria mensagem,
- Persuadir alguém.
Para que a comunicação seja realizada de forma eficiente, alguns elementos precisam fazer parte da prática da linguagem:
- Mensagem: é o que é dito, expresso ou escrito.
- Emissor: é quem faz a mensagem.
- Receptor: é quem recebe a mensagem.
- Canal: o meio pelo qual a mensagem é transmitida.
- Código: são os tipos de linguagem presentes na mensagem.
- Contexto: situação ou momento no qual a mensagem é feita.
Considere o seguinte bilhete, que uma mãe deixou para seu filho em cima da mesa: “Diego, leve o cachorro passear antes de ir para a faculdade”. É possível separar os elementos presentes no bilhete da seguinte forma:
- Mensagem: “Diego, leve o cachorro passear antes de ir para a faculdade”.
- Emissor: a mãe de Diego.
- Receptor: Diego.
- Canal: folha de papel.
- Código: linguagem coloquial.
- Contexto: ambiente familiar e informal.
O que torna a comunicação eficiente por completo é, além dos elementos citados acima, o objetivo dessa mensagem – é essa, afinal, a função da comunicação, da linguagem. É importante saber que um mesmo texto pode apresentar mais de uma função da linguagem.
Em relação aos elementos da linguagem, o fator “código” pode gerar dúvidas, por isso vamos relembrar sua definição: Código é um conjunto de sinais e símbolos que carregam significados. Seguindo essa lógica, podemos afirmar que a língua espanhola tem um código diferente da língua inglesa, por exemplo.
Em alguns momentos, o código pode ser um elemento não verbal da comunicação, como no caso de placas de sinalização de trânsito, que apresentam símbolos que têm significados específicos, fazendo com que todos os motoristas entendam as orientações em questão.
Resumo sobre as funções da linguagem
A linguagem é o fator principal para que haja a transmissão de uma mensagem. O que torna a mensagem compreensível e faz com que a linguagem cumpra o seu papel são as funções que abordamos acima.
O conhecimento e o uso das funções de linguagem permite uma melhor compreensão das mensagens às quais somos constantemente expostos e também concede um escopo amplificado na hora de produzir qualquer tipo de conteúdo linguístico, seja ele verbal ou não verbal.
- Função referencial ou denotativa: apresenta uma mensagem direta e clara.
- Função emotiva ou expressiva: expõe as emoções ou ações do emissor.
- Função poética: é a que evidencia os elementos poéticos da mensagem.
- Função fática: serve para checar a eficiência do meio de comunicação utilizado.
- Função conativa ou apelativa: tem o intuito de convencer o receptor da mensagem.
- Função metalinguística: busca evidenciar a própria linguagem utilizada.
- Elementos da comunicação: mensagem, emissor, receptor, canal, código, contexto.
Questão 1
(UEMG-2006)
Assinale a alternativa em que o(s) termo(s) em negrito do fragmento citado NÃO
contém (êm) traço(s) da função emotiva da linguagem.
a) Os poemas (infelizmente!)
não estão nos rótulos de embalagens nem junto aos frascos de remédio.
b) A leitura ganha contornos de “cobaia de laboratório” quando sai de sua
significação e cai no ambiente artificial e na situação inventada.
c) Outras leituras significativas são o rótulo de um produto que se
vai comprar, os preços do bem de consumo, o tíquete do cinema, as placas do
ponto de ônibus (...)
d) Ler e escrever são condutas da vida em sociedade. Não são ratinhos
mortos (...) prontinhos para ser desmontados e montados, picadinhos (...)
Questão 2
(UFV-2005) Leia as
passagens abaixo, extraídas de São Bernardo, de Graciliano Ramos:
I. Resolvi
estabelecer-me aqui na minha terra, município de Viçosa, Alagoas, e logo
planeei adquirir a propriedade S. Bernardo, onde trabalhei, no eito, com
salário de cinco tostões.
II. Uma semana depois, à tardinha, eu, que ali estava aboletado desde meio-dia,
tomava café e conversava, bastante satisfeito.
III. João Nogueira queria o romance em língua de Camões, com períodos formados
de trás para diante.
IV. Já viram como perdemos tempo em padecimentos inúteis? Não era melhor que
fôssemos como os bois? Bois com inteligência. Haverá estupidez maior que
atormentar-se um vivente por gosto? Será? Não será? Para que isso? Procurar
dissabores! Será? Não será?
V. Foi assim que sempre se fez. [respondeu Azevedo Gondim] A literatura é a
literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente,
mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo,
ninguém me lia.
Assinale a
alternativa em que ambas as passagens demonstram o exercício de metalinguagem
em São Bernardo:
a) III e V.
b) I e II.
c) I e IV.
d) III e IV.
e) II e V.
Questão 3
(PUC/SP-2001)
A Questão é Começar
Coçar e comer é só
começar. Conversar e escrever também. Na fala, antes de iniciar, mesmo numa
livre conversação, é necessário quebrar o gelo. Em nossa civilização apressada,
o “bom dia”, o “boa tarde, como vai?” já não funcionam para engatar conversa.
Qualquer assunto servindo, fala-se do tempo ou de futebol. No escrever também
poderia ser assim, e deveria haver para a escrita algo como conversa vadia, com
que se divaga até encontrar assunto para um discurso encadeado. Mas, à
diferença da conversa falada, nos ensinaram a escrever e na lamentável forma
mecânica que supunha texto prévio, mensagem já elaborada. Escrevia-se o que
antes se pensara. Agora entendo o contrário: escrever para pensar, uma outra
forma de conversar.
Assim fomos
“alfabetizados”, em obediência a certos rituais. Fomos induzidos a, desde o
início, escrever bonito e certo. Era preciso ter um começo, um desenvolvimento
e um fim predeterminados. Isso estragava, porque bitolava, o começo e todo o
resto. Tentaremos agora (quem? eu e você, leitor) conversando entender como
necessitamos nos reeducar para fazer do escrever um ato inaugural; não apenas
transcrição do que tínhamos em mente, do que já foi pensado ou dito, mas
inauguração do próprio pensar. “Pare aí”, me diz você. “O escrevente escreve
antes, o leitor lê depois.” “Não!”, lhe respondo, “Não consigo escrever sem
pensar em você por perto, espiando o que escrevo. Não me deixe falando
sozinho.”
Pois é; escrever é
isso aí: iniciar uma conversa com interlocutores invisíveis, imprevisíveis,
virtuais apenas, sequer imaginados de carne e ossos, mas sempre ativamente
presentes. Depois é espichar conversas e novos interlocutores surgem, entram na
roda, puxam assuntos. Termina-se sabe Deus onde.
(MARQUES, M.O.
Escrever é Preciso, Ijuí, Ed. UNIJUÍ, 1997, p. 13).
Observe a seguinte
afirmação feita pelo autor: “Em nossa civilização apressada, o “bom dia”, o
“boa tarde” já não funcionam para engatar conversa. Qualquer assunto servindo,
fala-se do tempo ou de futebol.” Ela faz referência à função da linguagem
cuja meta é “quebrar o gelo”. Indique a alternativa que explicita essa função.
a) Função emotiva
b) Função referencial
c) Função fática
d) Função conativa
e) Função poética
Questão 4
(Enem-2007)
O canto do
guerreiro
Aqui na floresta
Dos ventos batida, Façanhas de bravos
Não geram escravos,
Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
— Ouvi-me, Guerreiros,
— Ouvi meu cantar.
Valente na guerra,
Quem há, como eu sou?
Quem vibra o tacape
Com mais valentia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
— Guerreiros, ouvi-me;
— Quem há, como eu sou?
(Gonçalves Dias.)
Macunaíma (Epílogo)
Acabou-se a
história e morreu a vitória.
Não havia mais
ninguém lá. Dera tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela se
acabaram de um em um. Não havia mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles
campos, furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos, aqueles matos
misteriosos, tudo era solidão do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira
do rio Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar da tribo
nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber do Herói?
(Mário de Andrade.)
Considerando-se a
linguagem desses dois textos, verifica-se que
a) a função da
linguagem centrada no receptor está ausente tanto no primeiro quanto no segundo
texto.
b) a linguagem utilizada no primeiro texto é coloquial, enquanto, no segundo,
predomina a linguagem formal.
c) há, em cada um dos textos, a utilização de pelo menos uma palavra de origem
indígena.
d) a função da linguagem, no primeiro texto, centra-se na forma de organização
da linguagem e, no segundo, no relato de informações reais.
e) a função da linguagem centrada na primeira pessoa, predominante no segundo
texto, está ausente no primeiro.
Questão 5
(Enem-2012)
Desabafo
Desculpem-me, mas
não dá pra fazer uma cronicazinha divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem
como disfarçar: esta é uma típica manhã de segunda-feira. A começar pela luz
acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para serem respondidos na
secretária eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que venceram ontem. Estou
nervoso. Estou zangado.
CARNEIRO, J.
E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento).
Nos textos em
geral, é comum a manifestação simultânea de várias funções da linguagem, com o
predomínio, entretanto, de uma sobre as outras. No fragmento da crônica Desabafo,
a função da linguagem predominante é a emotiva ou expressiva, pois
a) o discurso do
enunciador tem como foco o próprio código.
b) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo dito.
c) o interlocutor é o foco do enunciador na construção da mensagem.
d) o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos demais.
e) o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da comunicação.
Questão 6
(Ibmec-2006)
Me devolva o Neruda
(que você nem leu)
Quando o Chico
Buarque escreveu o verso acima, ainda não tinha o “que você nem leu”. A palavra
Neruda - prêmio Nobel, chileno, de esquerda - era proibida no Brasil. Na sala
da Censura Federal o nosso poeta negociou a proibição. E a música foi liberada
quando ele acrescentou o “que você nem leu”, pois ficava parecendo que ninguém
dava bola para o Neruda no Brasil. Como eram burros os censores da ditadura
militar! E coloca burro nisso!!! Mas a frase me veio à cabeça agora, porque eu
gosto demais dela. Imagine a cena. No meio de uma separação, um dos cônjuges
(me desculpe a palavra) me solta esta: me devolva o Neruda que você nem leu!
Pense nisso.
Pois eu pensei
exatamente nisso quando comecei a escrever esta crônica, que não tem nada a ver
com o Chico, nem com o Neruda e, muito menos, com os militares.
É que eu estou aqui
para dizer um tchau. Um tchau breve porque, se me aceitarem - você e o diretor
da revista -, eu volto daqui a dois anos. Vou até ali escrever uma novela na
Globo (o patrão vai continuar o mesmo) e depois eu volto.
Esperando que você
já tenha lido o Neruda.
Mas aí você vai
dizer assim: pó, escrever duas crônicas por mês, fora a novela, o cara não
consegue? O que é uma crônica? Uma página e meia. Portanto, três páginas por
mês e o cara me vem com esse papo de Neruda?
Preguiçoso, no
mínimo.
Quando faço umas
palestras por aí, sempre me perguntam o que é necessário para se tornar um
escritor. E eu sempre respondo: talento e sorte. Entre os 10 e 20 anos, recebia
na minha casa O Cruzeiro, Manchete e o jornal Última Hora. E lá dentro eu lia
(me invejem): Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Fernando Sabino, Millôr
Fernandes, Nelson Rodrigues, Stanislaw Ponte Preta, Carlos Heitor Cony. E
pensava, adolescentemente: quando eu crescer, vou ser cronista.
Bem ou mal,
consegui meu espaço. E agora, ao pedir de volta o livro chileno, fico pensando
em como eu me sentiria se, um dia, um desses aí acima escrevesse que iria dar
um tempo. Eu matava o cara! Isso não se faz com o leitor (desculpe, minha
amiga, não estou me colocando no mesmo nível deles, não!)
E deixo aqui uns
versinhos do Neruda para as minhas leitoras de 30 e 40 anos (e para todas):
Escuchas otras
voces en mi voz dolorida
Llanto de viejas bocas, sangre de viejas súplicas,
Amame, compañera. No me abandones. Sigueme,
Sigueme, compañera, en esa ola de angústia.
Pero se van tiñendo con tu amor mis palabras
Todo lo ocupas tú, todo lo ocupas
Voy haciendo de todas un collar infinito
Para tus blancas manos, suaves como las uvas.
Desculpe o mau
jeito: tchau!
(Prata, Mario.
Revista Época. São Paulo. Editora Globo, Nº - 324, 02 de agosto de 2004, p. 99)
Relacione os
fragmentos abaixo às funções da linguagem predominantes e assinale a
alternativa correta.
I - “Imagine a
cena”.
II - “Sou um homem de sorte”.
III - “O que é uma crônica? Uma página e meia. Portanto, três páginas por mês e
o cara me vem com esse papo de Neruda?”.
a) Emotiva, poética
e metalingüística, respectivamente.
b) Fática, emotiva e metalingüística, respectivamente.
c) Metalingüística, fática e apelativa, respectivamente.
d) Apelativa, emotiva e metalingüística, respectivamente.
e) Poética, fática e apelativa, respectivamente.
Questão 7
(Fuvest-2004)
Observe, ao lado,
esta gravura de Escher: Na linguagem verbal, exemplos de aproveitamento de
recursos equivalentes aos da gravura de Escher encontram-se, com frequência,
a) nos jornais,
quando o repórter registra uma ocorrência que lhe parece extremamente
intrigante.
b) nos textos publicitários, quando se comparam dois produtos que têm a mesma
utilidade.
c) na prosa científica, quando o autor descreve com isenção e distanciamento a
experiência de que trata.
d) na literatura, quando o escritor se vale das palavras para expor
procedimentos construtivos do discurso.
e) nos manuais de instrução, quando se organiza com clareza uma determinada
sequência de operações.
Questão 8
(Unifesp-2002)
Texto I:
Perante a Morte
empalidece e treme,
Treme perante a Morte, empalidece.
Coroa-te de lágrimas, esquece
O Mal cruel que nos abismos geme.
(Cruz e
Souza, Perante a morte.)
Texto II:
Tu choraste em
presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu filho não és!
(Gonçalves
Dias, I Juca Pirama.)
Texto III:
Corrente, que do
peito destilada,
Sois por dous belos olhos despedida;
E por carmim correndo dividida,
Deixais o ser, levais a cor mudada.
(Gregório de
Matos, Aos mesmos sentimentos.)
Texto IV:
Chora, irmão
pequeno, chora,
Porque chegou o momento da dor.
A própria dor é uma felicidade...
(Mário de
Andrade, Rito do irmão pequeno.)
Texto V:
Meu Deus! Meu Deus!
Mas que bandeira
é esta,
Que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio! ... Musa! Chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto...
(Castro
Alves, O navio negreiro.)
Dois dos cinco
textos transcritos expressam sentimentos de incontida revolta diante de
situações inaceitáveis. Esse transbordamento sentimental se faz por meio de
frases e recursos linguísticos que dão ênfase à função emotiva e à função
conativa da linguagem. Esses dois textos são:
a) I e IV.
b) II e III.
c) II e V.
d) III e V.
e) IV e V.
Questão 9
(Enem-2014)
O telefone tocou.
— Alô? Quem fala?
— Como? Com quem deseja falar?
— Quero falar com o sr. Samuel Cardoso.
— É ele mesmo. Quem fala, por obséquio?
— Não se lembra mais da minha voz, seu Samuel?
Faça um esforço.
— Lamento muito, minha senhora, mas não me lembro. Pode dizer-me de quem se
trata?
(ANDRADE, C.
D. Contos de aprendiz. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958.)
Pela insistência em
manter o contato entre o emissor e o receptor, predomina no texto a função
a) metalinguística.
b) fática.
c) referencial.
d) emotiva.
e) conativa.
Questão 10
(Insper-2012)
Para fazer um poema
dadaísta
Pegue num jornal.
Pegue numa tesoura.
Escolha no jornal um artigo com o comprimento que pretende dar ao seu poema.
Recorte o artigo.
Em seguida, recorte cuidadosamente as palavras que compõem o artigo e
coloque-as num saco.
Agite suavemente.
Depois, retire os recortes uns a seguir aos outros.
Transcreva-os escrupulosamente pela ordem que eles saíram do saco.
O poema parecer-se-á consigo.
E você será um escritor infinitamente original, de uma encantadora
sensibilidade, ainda que incompreendido pelas pessoas vulgares.
(Tristan Tzara)
A metalinguagem,
presente no poema de Tristan Tzara, também é encontrada de modo mais evidente
em:
a) Receita de Herói
Tome-se um homem
feito de nada
Como nós em tamanho natural
Embeba-se-lhe a carne
Lentamente
De uma certeza aguda, irracional
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois perto do fim
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim
Serve-se morto.
FERREIRA,
Reinaldo. Receita de Herói. In: GERALDI, João Wanderley. Portos de passagem.
São Paulo: Martins Fontes, 1991, p.185.
b
1 - Alternativa correta: c) Outras leituras significativas são o rótulo de um produto que se vai comprar, os preços do bem de consumo, o tíquete do cinema, as placas do ponto de ônibus (...)
Na função emotiva, o escritor (emissor) tem como principal objetivo transmitir emoções, sentimentos e subjetividades por meio da própria opinião.
Portanto, ao ler os fragmentos acima, notamos que certas expressões em negrito possuem essas características: infelizmente; cobaia de laboratório; ratinhos mortos, prontinhos e picadinhos.
2 - Alternativa correta: a) III e V.
A função metalinguística utiliza o código para explicar o próprio código. Ou seja, trata-se de uma linguagem que fala dela mesma, por exemplo, um filme que aborda sobre o cinema.
Nos trechos acima, podemos notar que em duas passagens da obra temos a função metalinguística presente:
- "João Nogueira queria o romance em língua de Camões, com períodos formados de trás para diante."
- "Foi assim que sempre se fez. [respondeu Azevedo Gondim] A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia."
Alternativa correta: c) Função fática
Para responder essa questão, é necessário compreender cada uma das funções da linguagem citadas acima:
- Função fática: estabelece uma relação de interação entre o emissor e o receptor do discurso, sendo usada no início, meio e final das conversas.
- Função emotiva: caracteriza-se pela subjetividade, tendo como principal objetivo emocionar o leitor.
- Função referencial: caracterizada pela função de informar, notificar, referenciar, anunciar e indicar por meio da linguagem denotativa.
- Função conativa: o intuito principal dessa função é de convencer, persuadir e cativar o interlocutor.
- Função poética: focada na mensagem que será transmitida, essa função é característica dos textos poéticos.
- 4 - Alternativa correta: c) há, em cada um dos textos, a utilização de pelo menos uma palavra de origem indígena.
A partir da leitura dos textos, podemos constatar que existe uma relação no conteúdo, uma vez que ambos tem como foco a figura do indígena brasileiro.
No entanto, a realidade indígena do primeiro texto é positiva e idealizada; enquanto no segundo, ela é negativa e crítica.
Outra diferença a se destacar é que o texto de Gonçalves Dias está em forma de poesia, com a presença de versos, e o de Mario de Andrade, em prosa.
Embora ambos utilizem palavras indígenas (tacape, Uraricoera), a linguagem utilizada não é considerada informal, coloquial.
5 - Alternativa correta: b) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo dito.
A função emotiva da linguagem prioriza o discurso subjetivo, onde o emissor transmite suas emoções e sentimentos.
Portanto, esse tipo de texto é focado no emissor e escrito em primeira pessoa. De acordo com as opções e o foco de cada uma das funções da linguagem, temos:
a) função metalinguística
b) função emotiva
c) função conativa
d) função referencial
e) função fática6 - Alternativa correta: d) Apelativa, emotiva e metalingüística, respectivamente.
Para responder essa questão, precisamos entender as principais características das seis funções da linguagem:
- Função conativa (ou apelativa): o intuito principal dessa função é de convencer, persuadir e cativar o interlocutor.
- Função emotiva: caracteriza-se pela subjetividade, tendo como principal objetivo emocionar o leitor.
- Função metalinguística: com foco no código da mensagem, nessa função temos uma linguagem que refere-se à ela mesma.
- Função referencial: caracterizada pela função de informar, notificar, referenciar, anunciar e indicar por meio da linguagem denotativa.
- Função fática: estabelece uma relação de interação entre o emissor e o receptor do discurso, sendo usada no início, meio e final das conversas.
- Função poética: focada na mensagem que será transmitida, essa função é característica dos textos poéticos.
- 7 - Alternativa correta: d) na literatura, quando o escritor se vale das palavras para expor procedimentos construtivos do discurso.
Segundo a imagem acima, nota-se a presença da função metalinguística, com foco no código da mensagem.
Nessa função, a principal característica é o uso da metalinguagem, uma linguagem que refere-se à ela mesma. Assim, o emissor explica um código utilizando o próprio código.
No caso da figura acima, temos a função metalinguística na pintura, onde vemos as mãos do pintor desenhando. Esse recurso é muito utilizado na literatura, por exemplo, um poema que fala da construção da poesia.
8 - Alternativa correta: c) II e V.
Após a leitura dos textos acima, podemos constatar que o tom de revolta está presente nos textos II e V.
Embora nos outros nota-se a presença de sentimentos como a angústia, a dor e o fracasso, eles não transmitem indignação, e sim um certa constatação e conformidade.
O texto II, de Gonçalves Dias, expõe a indignação e revolta do pai que se preocupa com as ações covardes do filho diante dos inimigos.
Já o texto V, de Castro Alves, apresenta a revolta do poeta com a situação dos escravos trazidos para o Brasil.
9 - Alternativa correta: b) fática.
Na função fática, com foco no canal da mensagem, a principal característica é estabelecer ou interromper a comunicação, sendo que o mais importante é a relação entre o emissor e o receptor da mensagem.
Assim, de acordo com o trecho acima, temos a insistência do emissor e do receptor em continuar a conversa pelo telefone.
10 - Alternativa correta: letra c.
Vale lembrar que a função metalinguística é aquela caracterizada pelo uso da metalinguagem, ou seja, a linguagem que refere-se à ela mesma.
No texto de Tristan Tzara "Para fazer um poema dadaísta", o artista aponta sobre o próprio ato de escrever e, portanto, utiliza a função metalinguística.
De acordo com as imagens, podemos notar que é na tirinha do Garfield que essa mesma função é utilizada. Nesse tipo de texto, cujo código é predominantemente visual, nota-se o abaulamento da segunda imagem, o que sugere o excesso de peso do gato.
Para isso, o autor delimita as linhas horizontais no desenho do segundo quadro, substitui as linhas retas, que são usadas no primeiro e último quadros, por uma curva.
11 - Alternativa correta: e) referencial: o autor discorre acerca de um tema e expõe sobre ele considerações pertinentes.
De acordo com a leitura do texto e as alternativas oferecidas, podemos constatar que trata-se de um texto jornalístico em que há o predomínio da linguagem formal (denotativa), onde o foco maior está no contexto ou no referente.
Aqui, o emissor tem como objetivo principal informar sobre algo, nesse caso, sobre o tema das disparidades raciais no Brasil.
12 - Alternativa correta: a) metalinguística, pois o trecho tem como propósito essencial usar a língua portuguesa para explicar a própria língua, por isso a utilização de vários sinônimos e definições.
De acordo com a leitura do trecho de Guimarães Rosa, o autor nos oferece a explicação de um termo novo da língua portuguesa "hipotrélico".
Assim, há presença da função metalinguística, onde ele utiliza de um código para falar do próprio código.
13 - Alternativa correta: d) tematização do fazer artístico, pela discussão do ato de construção da própria obra.
A metalinguagem é caracterizada pela linguagem que refere-se à ela mesma. No caso do poema acima, o escritor foca na produção do poema e, portanto, utiliza da função metalinguística.
14 - Alternativa correta: e) referencial, porque o texto trata de noções e informações conceituais.
O texto acima utiliza a função referencial, uma vez que o intuito é informar sobre alguns conceitos relacionados à biosfera.
Lembre-se que a função referencial tem como objetivo informar, indicar ou referenciar sobre algum tema. Assim, de forma objetiva e por meio de uma linguagem denotativa, ela apresenta um assunto sem que haja aspectos subjetivos ou emotivos.
15 - Alternativa correta: e) poética, pois chama-se a atenção para a elaboração especial e artística da estrutura do texto.
A função poética está focada na mensagem e tem como característica o uso da linguagem conotativa (figurada) e das figuras de linguagem. Assim, ela preocupa-se com a forma do discurso, ou seja, o modo de transmitir a mensagem poética.

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